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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Jorge Amado - 10 de agosto


Em 10 de agosto de 1912 nascia nosso amado
JORGE AMADO
 
Ainda me lembro do primeiro livro de Jorge Amado que eu li, Capitães de Areia. Li não, devorei!!! O livro foi tão envolvente e hipnotizador que li em poucas horas. Na época foi por obrigação escolar - embora eu sempre tenha gostado de ler, sempre tiveram aqueles que eram obrigação, mas que no fim das contas, a maioria eu adorei ter lido. Bem, Capitães de Areia foi um desses.

Poder criar na mente as cenas de loucuras de Pedro Bala foi simplesmente incrível. A narrativa é alucinante e te prende do início ao fim. Um livro em que a gente sente euforia, agonia, raiva, medo, alegria, amor, tristeza... São muitos sentimentos juntos e misturados. E quando acaba o livro, fica aquela sensação de vazio, de que não devia ter acabado.


"Uma história dos meninos-de-rua da Bahia, na década de 30. Narrativa do amor de Dora e Pedro Bala. Peripécias do bando de menores que perambula perigosamente pelas ruas e pelo cais de Salvador, cidade "negra e religiosa", onde se projeta a personalidade da ialorixá Aninha, mãe-de-santo do Ilê Axé Opô Afonjá. Dora morre, doente, no trapiche enluarado. Pedro Bala é preso, foge, mete-se em greves de estivadores, até que se converte em "militante proletário, o camarada Pedro Bala". O problema é que o livro é publicado em 1937, logo em seguida à implantação do Estado Novo, regime violentamente anticomunista. Assim, a edição é apreendida - e exemplares do livro são queimados em praça pública, na Cidade da Bahia, por representantes da ditadura. Mas de nada adiantou. Quando pôde voltar à cena, Capitães da areia conquistou o grande público e é ainda hoje um dos maiores sucessos de Jorge Amado." Extraído do site da Fundação Jorge Amado.


E o maravilhoso O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá? Que delícia de leitura, o que inclui não apenas os textos mas as ilustrações também. Simplesmente lindamente poético.


"A história de amor do Gato Malhado e da Andorinha Sinhá eu a escrevi em 1948, em Paris, onde então residia com minha mulher e meu filho João Jorge, quando este completou um ano de idade, presente de aniversário; para que um dia ele a lesse. Colocado junto aos pertences da criança, o texto se perdeu e, somente em 1976, João, bulindo em velhos guardados, o reencontrou, dele tomando finalmente conhecimento.

Nunca pensei em publicá-lo. Mas tendo sido dado a ler a Carybé por João Jorge, o mestre baiano, por gosto e amizade, sobre as páginas datilografadas desenhou as mais belas ilustrações, tão belas que todos as desejam admirar. Diante do que, não tive mais condições para recusar-me à publicação por tantos reclamada: se o texto não paga a pena, em troca não tem preço que possa pagar as aquarelas de Carybé.

O texto é editado como o escrevi em Paris, há quase trinta anos. Se fosse bulir nele, teria de reestruturá-lo por completo, fazendo-o perder sua única qualidade: a de ter sido escrito simplesmente pelo prazer de escrevê-lo, sem nenhuma obrigação de público e de editor". Jorge Amado, Londres, agosto de 1976 - Extraído do site da Fundação Jorge Amado.



Ah Jorge Amado, deixou saudades em muitos corações!!!


Biografia:

João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado - Jorge Amado, nasceu em 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, sul da Bahia.

Cresceu e estudou em Salvador, onde trabalhou em jornais, participando ativamente da vida literária da época. Foi um dos fundadores da Academia dos Rebeldes.


Em 1931, então com 19 anos de idade, publicou seu 1º romance: romance, O país do carnaval.


Em 1935 se formou pela Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro. Em 1941 foi exilado para a Argentina e Uruguai, por ser um militante comunista, retornando ao Brasil em 1944. Em 1945, foi eleito membro da Assembléia Nacional Constituinte, na legenda do PCB - Partido Comunista Brasileiro, tendo sido o deputado federal mais votado do Estado de São Paulo. Jorge Amado foi o autor da lei, ainda hoje em vigor, que assegura o direito à liberdade de culto religioso. Também foi autor da emenda que garantia os direitos autorais. Nesse mesmo ano, 1945, casou-se com Zélia Gattai, sua segunda esposa e também escritora, com quem teve três filhos


Em 1947, ano do nascimento de seu filho João Jorge, o PCB foi declarado ilegal e seus membros perseguidos e presos. Jorge Amado teve que se exilar com a família na França, seguindo depois para Praga. A partir de 1955, já de volta ao Brasil, dedicou-se inteiramente à literatura, sendo eleito, em 06 de abril de 1961, para a cadeira número 23, da Academia Brasileira de Letras. Sua cadeira foi sucedida pela sua esposa Zélia.


Jorge Amado é um dos representantes do Modernismo Regionalista, a segunda geração modernista Brasileira.


Em 1994 sua obra foi reconhecida com o Prêmio Camões, além de diversos outros prêmios e títulos de importância nacional e mundial.


Jorge Amado morreu em Salvador, no dia 6 de agosto de 2001. Foi cremado conforme seu desejo, e suas cinzas foram enterradas no jardim de sua residência na Rua Alagoinhas, no dia em que completaria 89 anos.


Jorge Amado era simpatizante do Candomblé, onde exercia o posto de honra de Obá de Xangô no Ilê Apó Afonjá.


Sua obra recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais, além de várias adaptações para o cinema, teatro e televisão, como Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela (série atualmente apresenta na Rede Globo), Teresa Batista Cansada de Guerra e Dona Flor e Seus Dois Maridos. Jorge Amado e suas obras foram também tema de escolas de samba em várias partes do Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países para 49 idiomas, existindo também exemplares em braile e em formato de audiolivro.
 

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